
Existe uma mudança importante acontecendo na forma como as pessoas compram. E ela vai muito além da tecnologia.
Durante muito tempo, bastava uma boa campanha, uma localização privilegiada ou uma indicação para que muitos consumidores tomassem uma decisão de compra. Hoje, a jornada é completamente diferente. Antes de escolher um restaurante, contratar um serviço, comprar um apartamento ou investir em um curso, as pessoas pesquisam. Comparam preços, leem avaliações, analisam comentários, visitam redes sociais, procuram reclamações, observam como a empresa se comunica e tentam encontrar sinais de que aquela marca realmente entrega aquilo que promete.
Na prática, o consumidor nunca teve tanto acesso à informação. E isso tornou o processo de compra muito mais racional, criterioso e consciente.
Esse novo comportamento também mudou a forma como empresas precisam construir suas marcas. Durante muito tempo, comunicação foi associada principalmente à capacidade de gerar visibilidade. Hoje, visibilidade continua sendo importante, mas deixou de ser suficiente. Porque chamar atenção é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é gerar confiança.
Talvez seja justamente por isso que marcas bem posicionadas conseguem sustentar valor mesmo quando não oferecem o menor preço do mercado. Elas reduziram a sensação de risco durante a decisão de compra. Construíram credibilidade ao longo do tempo e fizeram com que o consumidor chegasse ao momento da escolha já acreditando naquilo que a marca representa.
Um bom exemplo disso é a Amazon. Antes de finalizar uma compra, milhões de pessoas consultam avaliações, classificações por estrelas, perguntas respondidas por outros consumidores e comentários detalhados sobre os produtos. A empresa entendeu que a confiança faz parte da experiência de compra e transformou essa validação social em um dos pilares da sua plataforma. Em muitos casos, a decisão não acontece apenas pelo produto, mas pela segurança que todo esse ecossistema transmite.
Na Chuva, observamos esse comportamento diariamente em projetos de diferentes segmentos. Um exemplo disso aconteceu no lançamento da Roxinha ComproPay.
O desafio não era apenas apresentar uma nova maquininha de cartões ao mercado capixaba. Era lançar um produto físico sem perder a essência digital da ComproPay e, principalmente, construir confiança suficiente para que o comerciante enxergasse a Roxinha não apenas como mais uma opção de pagamento, mas como uma solução capaz de ajudar o seu negócio a vender mais.
A estratégia partiu do conceito “Quem vem de Roxinha, vende mais” e combinou criatividade, linguagem popular e presença omnichannel para traduzir, de forma simples e próxima, os benefícios da solução. A campanha trabalhou diferentes pontos de contato com o público, conectando comunicação, mídia e estratégia para construir uma percepção consistente da marca e do produto ao longo da jornada.
A campanha precisava responder às principais dúvidas de quem empreende: vale a pena trocar? Posso confiar nessa solução? Ela realmente pode ajudar o meu negócio? Ao transformar essas respostas em uma comunicação leve, direta e alinhada às dores do comerciante capixaba, a estratégia ajudou a reduzir barreiras e fortalecer a decisão de compra.
Os resultados mostraram a força dessa construção. A meta era fechar dezembro com R$ 50 milhões em vendas. O resultado chegou a R$ 80 milhões, representando 160% da meta. Em relação à adoção da Roxinha, a expectativa era chegar a 2 mil lojistas utilizando a solução. O número final foi de 3.500 lojistas, 175% da meta estabelecida.
Esse case mostra como uma estratégia de comunicação integrada pode transformar um lançamento em uma oportunidade concreta de crescimento. Quando diferentes pontos de contato trabalham juntos para transmitir clareza, relevância e confiança, a comunicação deixa de ser apenas uma ferramenta de divulgação e passa a fazer parte da própria decisão de compra.
Esse talvez seja um dos principais aprendizados da comunicação atual. Marcas não disputam mais apenas atenção. Elas disputam credibilidade.
Em um mundo onde qualquer pessoa consegue pesquisar praticamente tudo antes de comprar, empresas despreparadas não perdem espaço apenas para concorrentes mais baratos. Elas perdem espaço para concorrentes que conseguem transmitir mais confiança ao longo da jornada.
E é por isso que, hoje, existe uma pergunta que nenhuma empresa deveria deixar de fazer: quando um potencial cliente pesquisa sua marca antes de comprar, o que ele encontra?



