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A CULTURA MUDA QUANDO A EMPRESA CRESCE.  A LIDERANÇA PRECISA PERCEBER ISSO. 

Crescer é um objetivo para praticamente toda empresa. Mas, junto com novos clientes, equipes maiores e desafios mais complexos, vêm mudanças que nem sempre são confortáveis. À medida que a empresa cresce, sua estrutura muda, os processos evoluem e a cultura também passa por transformações. 

Os países anglófonos usam a expressão “growing pains”, ou “dores do crescimento”, para falar dos desconfortos associados ao desenvolvimento durante a infância e a adolescência. A ideia ajuda a explicar o que acontece com muitas empresas. Crescer é desejável, mas o processo exige adaptação. Surgem desafios que antes não existiam, algumas decisões precisam ser revistas e práticas que funcionavam bem em determinado momento podem deixar de fazer sentido. 

Uma empresa pequena costuma funcionar com muita proximidade. As pessoas se conhecem, as decisões acontecem rapidamente e parte da cultura é transmitida naturalmente pela convivência. Com o crescimento, novas pessoas chegam, as responsabilidades se ampliam e aquilo que antes era entendido de maneira informal pode precisar ser mais bem estruturado. A empresa passa a enfrentar uma realidade diferente e precisa desenvolver novas formas de trabalhar. 

É nesse processo que a cultura também amadurece. Isso não significa abandonar os valores que ajudaram a construir o negócio, mas entender que a forma de colocá-los em prática pode mudar. Existe uma diferença entre preservar uma cultura e tentar mantê-la exatamente como era. Os princípios podem continuar os mesmos, enquanto as dinâmicas precisam acompanhar o momento que a empresa vive. 

Uma prática que funcionava com uma equipe pequena pode não funcionar da mesma maneira quando ela cresce. A proximidade entre as pessoas pode precisar de novos canais de comunicação, a autonomia pode exigir processos mais claros e a agilidade pode depender de uma organização maior para continuar existindo. Essas mudanças não representam necessariamente uma perda de cultura. Muitas vezes, são justamente a forma de fazer com que ela continue presente em uma nova realidade. 

Planejamento e estudo ajudam a conduzir esse processo, mas existe uma parte do crescimento que acontece na prática. Nem toda solução aplicada por outra empresa fará sentido para a sua realidade, e algumas decisões precisam ser ajustadas depois de colocadas em funcionamento. A boa e velha tentativa e erro também faz parte do amadurecimento. O importante é ter disposição para reconhecer quando algo não funciona e fazer os ajustes necessários. 

A trajetória da Chuva ajuda a confirmar essa reflexão. Ao longo de 15 anos, nossa agência passou por diferentes momentos, recebeu novos profissionais e enfrentou desafios que exigiram mudanças na forma de trabalhar e liderar. Seria impossível esperar que uma empresa com 15 anos mantivesse exatamente as mesmas dinâmicas de quando começou. Assim como acontece na adolescência, crescer também significa ganhar novas responsabilidades e aprender a lidar com uma realidade mais complexa. 

O papel da liderança é perceber essas transformações. Cultura não se mantém apenas porque seus valores estão definidos em algum lugar. Ela está presente nas decisões, nas relações e na maneira como a empresa trabalha todos os dias. Por isso, liderar uma empresa em crescimento também significa entender o que precisa permanecer e o que precisa amadurecer. 

Uma empresa que cresce inevitavelmente muda, e sua cultura muda com ela. Os “growing pains” fazem parte desse processo. A questão não é eliminar todos os desconfortos, mas aprender com eles e garantir que, enquanto a empresa encontra novas formas de crescer, não perca de vista os princípios que a trouxeram até aqui.